Biografia de D. Maria I

D. Maria I, http://pt.wikipedia.org/wiki/Imagem:27-_Rainha_reinante_D._Maria_I_-_A_Louca.jpg
D. Maria I nasceu em 1734,na cidade de Lisboa,baptizada Infanta Maria Francisca Isabel Josefa Antónia Gertrudes Rita Joana, foi Rainha de Portugal entre 1777 e 1816, sucedendo ao rei José I.
Maria foi ainda Princesa do Brasil, Princesa da Beira e Duquesa de Bragança.
Ficou conhecida pelo cognome de 'a Piedosa' ou a 'a Pia, devido à sua extrema devoção religiosa (foi ela, por exemplo, que mandou construir a Basílica da Estrela em Lisboa), e também como 'A Louca', devido à doença mental manifestada com veemência nos últimos 24 anos de vida. Filha Primogénita da D.José I e de D. Mariana Vitória de Áustria.


D. João VI, http://www.novomilenio.inf.br/festas/1822a2.jpg
A personalidade desta Rainha é composta por poucos elementos: uma mulher sombria que não deixou rastro como Princesa e apenas o teve como Rainha. Foi a primeira rainha em Portugal a exercer o poder efectivo.
Seu primeiro acto como rainha, iniciando um período que ficou conhecido como a Viradeira devido atitude que tomou contra Marquês de Pombal e a sua política pombalina, nomiadamente a demissão e exílio da corte.
D. Maria nunca perdou a forma brutal como tratou a família Távora durante o Processo dos Távoras.
O Processo dos Távoras refere-se a um escândalo político português do século XVIII, que culmina com a execução pública de toda a família Távora e dos seus parentes próximos em 1759.
Alguns historiadores interpretam o assunto como uma tentativa do primeiro-ministro Sebastião de Melo (Marquês de Pombal) de limitar os poderes crescentes de famílias da alta nobreza.
Os acontecimentos foram desencadeados pela tentativa de assassinato do Rei D. José I na noite de 3 de Setembro de 1759.
D. José I seguia incógnito numa carruagem que percorria uma rua secundária nos arredores de Lisboa. O rei regressava para as tendas da Ajuda de uma noite com a amante.
Pelo caminho, a carruagem foi interceptada por três homens, que dispararam sobre os ocupantes. D. José I foi ferido num braço, o seu condutor também ficou ferido gravemente, mas ambos sobreviveram e regressaram à Ajuda.
Marquês de Pombal,
http://content.answers.com/main/content/wp/en/thumb/f/ff/350px-29_Decarvalho.jpg
Sebastião de Melo tomou o controle imediato da situação. Mantendo em segredo o ataque e os ferimentos do rei, ele efectuou julgamento rápido. Poucos dias depois, dois homens foram presos e torturados.
Os homens confessaram a culpa e que tinham tido ordens da família dos Távoras, que estavam a conspirar pôr o duque de Aveiro, José Mascarenhas, no trono.
Ambos foram enforcados no dia seguinte, mesmo antes da tentativa de regicídio ter sido tornada pública. Nas semanas que se seguem, a marquesa Leonor de Távora, o seu marido, o conde de Alvor, todos os seus filhos, filhas e netos foram encarcerados.
Os conspiradores, o duque de Aveiro e os genros dos Távoras, o marquês de Alorna e o conde de Atouguia foram presos com as suas famílias.
Gabriel Malagrida, o jesuíta confessor de Leonor de Távora foi igualmente preso.Foram todos acusados de alta traição e de regicídio.

Leonor de Távora, http://genealogia.netopia.pt/images/pessoas/pes_13872.jpg
As provas apresentadas em tribunal eram simples:
a) As confissões dos assassinos executados;
b) A arma do crime pertencia ao duque de Aveiro;
c) O facto de apenas os Távoras poderem ter sabido dos afazeres do rei nessa noite, uma vez que ele regressava de uma ligação com Teresa de Távora, presa com os outros. Os Távoras negaram todas as acusações mas foram condenados à morte. Os seus bens foram confiscados pela coroa, o seu nome apagado da nobreza e os brasões familiares foram proibidos.
A sentença ordenou a execução de todos, incluindo mulheres e crianças. Apenas as intervenções da Rainha Mariana e de Maria Francisca, a herdeira do trono, salvaram a maioria deles. A marquesa, porém, não seria poupada.
Ela e outros acusados que tinham sido sentenciados à morte foram torturados e executados publicamente em 13 de Janeiro de 1759 num descampado perto de Lisboa.
A execução foi violenta mesmo para a época, as canas das mãos e dos pés dos condenados foram partidas com paus e as suas cabeças decapitadas e depois os restos dos corpos queimados e as cinzas deitadas ao rio Tejo.

Rio Tejo, http://www.portugaltravelguide.com/images/ib/hi-res/lisboa05.jpg
O rei esteve presente, juntamente com a sua corte, absolutamente desnorteada. Os Távoras eram seus semelhantes, mas o rei quis que a lição fosse aprendida e para que nunca mais a nobreza se rebelasse contra a autoridade régia.
O palácio do Duque de Aveiro, em Belém, Lisboa foi demolido e o terreno salgado, simbolicamente, para que nunca mais nada ali crescesse. No local, hoje chamado Beco do Chão Salgado, existe um marco alusivo ao acontecimento mandado erigir por D. José com uma lápide que pode ser lida.
As coroas da família Távora foram picadas e o nome Távora foi mesmo proibido de ser citado.
Gabriel Malagrida foi queimado vivo alguns dias depois e a ordem dos jesuítas declarada ilegal.
Todos as suas propriedades foram confiscadas e os jesuítas expulsos do território português, na Europa e no Ultramar ( esta situação é retratada no filme a "Missão").
Família Alorna,http://www.arqnet.pt/imagens3/imag120403.jpg
A família Alorna e as filhas do Duque de Aveiro foram condenadas a prisão perpétua em mosteiros e conventos.
Sebastião de Melo foi feito Conde de Oeiras pelo seu tratamento competente do caso, e posteriormente, em 1770, obteve o título de Marquês de Pombal, o nome pelo qual é conhecido hoje.
Rainha amante da paz, dedicada a obras sociais, concedeu asilo a numerosos aristocratas franceses fugidos ao Terror da Revolução Francesa (1789).
Era no entanto dada a melancolia e fervor religioso e de natureza tão impressionável que quando ladrões entraram em uma igreja e espalharam hóstias pelo chão, decretou nove dias de luto, adiou os negócios púbicos e acompanhou a pé, com uma vela, a procissão de penitência que percorreu Lisboa.
Revolução Francesa,
http://pt.wikipedia.org/wiki/Imagem:Eugène_Delacroix_-_La_liberté_guidant_le_peuple.jpg
A animosidade que sempre existiu entre os príncipes do Brasil e o marquês de Pombal e o desejo deste de ver D. Maria renunciar ao trono em favor de seu filho D. José, não permitiram à futura rainha que se familiarizasse com os assuntos políticos.
No entanto sente-se que três preocupações absorveram o seu espírito desde os primeiros tempos do seu reinado: reparar as "ofensas" a Deus, moralizar a vida pública e governar em certos campos de uma forma mais progressiva.
Perdoou aos criminosos do Estado que lhe pareceram dignos desse acto. Aceitou o pedido de escusa do marquês de Pombal de todos os seus cargos mas manteve-lhe os seus honorários de secretário de Estado.

D. MariaI,
http://www.arqnet.pt/imagens/phmaria2.jpg
Quando D. Maria subiu ao trono era delicada a nossa posição em política internacional: guerra com a Espanha no Brasil; situação difícil perante o conflito entre a Inglaterra e as colónias americanas.
Em relação ao primeiro problema, procurou desde logo a rainha um entendimento com a Espanha, o que deu origem aos Tratados de Santo Ildefonso, de Outubro de 1777, tratado preliminar de delimitação das zonas portuguesa e espanhola na América do Sul, e do Prado assinado em Março de 1778.
A solução do segundo tornou-se mais difícil quando a França e a Espanha apoiaram as colónias revoltadas.
Na impossibilidade de tomar partido aberto por qualquer dos beligerantes procurou obter a neutralidade, o que aconteceu em Julho de 1782, com a assinatura da convenção marítima com a Rússia, e a aceitação da Neutralidade Armada, não sem dificuldades que o governo português conseguiu vencer com certa diplomacia.

França , http://www.bib-municipal-vila-franca-xira.rcts.pt/espinf/m4_servicos/sic/fotos/qtsbsr.jpg
A actividade legislativa é notável, sobretudo no que diz respeito à gestão económica. Puseram-se restrições ao monopólio da Companhia do Vinho do Porto.
Foi suprimida a Companhia do Grão-Pará e Maranhão; criada a Junta da Administração de todas as fábricas deste Reino e Águas Livres.
Impulsionou novas manufacturas. Assinou um tratado de amizade, navegação e comércio com a Rússia. A exportação do vinho do Porto desenvolveu-se largamente.
No princípio de 1792 agravou-se o estado de saúde da rainha e desde 10 de fevereiro de 1792 foi obrigada a aceitar que o filho tomasse conta dos assuntos de Estado.
Obcecada com as penas eternas que o pai estaria sofrendo no inferno, por ter permitido a Pombal perseguir os jesuítas, o via como ´um monte de carvão calcinado´.
Para tratá-la veio de Londres o dr. Willis, psiquiatra e médico real de Jorge III, enlouquecido em 1788, mas de nada adiantaram seus "remédios evacuantes".

Jorge III de Inglaterra, http://www.artehistoria.com/historia/jpg/RAJ11353.jpg
Em 1799, sua instabilidade mental, que levou ao cognome "Louca",se agravou com os lutos pelo seu marido D. Pedro III (1786) e seu filho, o príncipe herdeiro José, Duque de Bragança, Príncipe da Beira, Príncipe do Brasil, morto aos 26 anos (1788), a marcha da Revolução Francesa, e execução dos Reis de França na guilhotina e o filho e herdeiro João assumiu a regência.
Revolução Francesa,
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Por sofrer de doença mental foi afastada dos negócios públicos em princípios de 1792, tendo o príncipe D. João tomado conta do governo em nome de sua mãe até 1799, ano em que passou a governar em seu próprio nome, com o título de Regente.
Em 1801, o primeiro ministro de Espanha, Manuel Godoy apoiado por Napoleão invadiu Portugal por breves meses e, no subsequente Tratado de Badajoz, Olivença passou para a coroa de Espanha. 
Badajoz,
http://www.puebloenlaces.com/fotos-ciudades/badajoz.jpg
Portugal continuou a fazer frente a França e, ao recusar-se a cumprir o Bloqueio naval às Ilhas Britânicas, foi invadido pela coligação franco-espanhola liderada pelo Marechal Junot.
A família real fugiu para o Brasil a 13 de Novembro de 1807 e Junot foi nomeado governador de Portugal.
A 1 de Agosto de 1808, o Duque de Wellington desembarcou em Portugal e iniciou-se a Guerra Peninsular.
Entre 1809 e 1810, o exército luso-britânico lutou contra as forças invasoras de Napoleão, nomeadamente na batalha das Linhas de Torres.
Quando Napoleão foi derrotado em 1815, Maria e a família real encontravam-se ainda no Brasil.
Permaneceu no Rio de Janeiro, até a sua morte, que sucedeu no dia 20 de Março de 1816.
Esta sepultada na Basílica da Estrela, em Portugal.
D. Maria I deu um Grande impulso à cultura criado numerosas instituições, como: a Real Academia das Ciências de Lisboa, Aula Pública de Debucho e Desenho, no Porto, e a Aula Régia de Desenho de Lisboa.
Fundou a Academia Real de Marinha e a Real Biblioteca Pública de Lisboa, criou Hospitais no Brasil e na metrópole.
Criou a lotaria para alargar os serviços da Misericórdia de Lisboa e fundou a Real Casa Pia de Lisboa, obra de Pina Manique.
Pina Manique,
http://fotos.sapo.pt/fundoperdido/pic/000093p9/s500x500
Bibliografia:
-Serrão, Joaquim Veríssimo, História de Portugal, Vol. VI - O Despotismo Iluminado ( 1750-1807), Editorial Verbo.
-Serrão, Joel, Dicionário de História de Portugal, Vol. IV, Iniciativas Editoriais/ Livraria Figueirinhas, Porto.
-Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura, Vol.12, Editorial Verbo.
-Couto, Célia Pinto do, Rosas, Maria Antónia Moterroso, O Tempo da História, Manual de História A, 1ª parte, 11º ano, Porto Editora.
http://pt.wikipedia.org/wiki/D._Maria_I
http://www.arqnet.pt/portal/portugal/temashistoria/maria1.html
http://www.arqnet.pt/portal/portugal/temashistoria/maria1.html
http://www.leme.pt/biografias/80mulheres/maria.html
http://www.portugalvirtual.pt/_tourism/costadelisboa/sintra/queluzp.html
http://www.casapia.pt/Default.aspx?tabid=47
http://pt.wikipedia.org/wiki/BasÃlica_da_Estrela
http://pt.wikipedia.org/wiki/Processo_dos_Távoras
http://www.instituto-camoes.pt/revista/revista15s.htm

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